terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Esperança

Estes dias têm sido muito bons, tal como a Dra M. disse que iria acontecer, ele deixou de sentir dores no braço e, fora umas ligeiras sensações estranhas, tem andado muito, muito bem.
Boa cor, bom ar, o apetite de sempre e muita energia.
Até parece que não tem nada.

Hoje, voltou à quimioterapia, a segunda sessão do primeiro ciclo. Desta vez fomos de ambulância, não quero arriscar, a menos que ele me peça para ir no nosso carro. De ambulância é mais rápido, seguro e posso vir a cuidar dele e a dar-lhe mimos durante a viagem em vez de vir atenta à estrada, para além de, é claro, também pouparmos os custos da viagem.

Foi tudo um pouco estranho, é tudo novidade, o acordar às 6 da manhã, estar à porta às 7, ainda de noite, as miúdas e a cadela não estavam cá, foi tudo muito estranho mesmo.
Não parecia a nossa vida.

Depois de uma manhã a fazer raio-x, electrocardiograma e ecocardiograma, lá fomos ter com a Dra M., que tinha muito boas noticias para nós. Ao comparar o primeiro raio-x, com o que foi feito hoje, já se notam diferenças. Isto significa que o protocolo (método/tratamento) que esta a ser usado esta a dar resultados e, segundo a médica, muito bons, ela ficou muito animada, disse que isso era um excelente sinal e que, embora tenhamos ainda um longo caminho pela frente, ele esta a ter uma excelente resposta ao tratamento, o que, por si só, já é uma coisa muito boa.

Ficámos radiantes! Uma nova força, uma esperança renovada era tudo o que precisavamos hoje.

Muito embora não goste de falar sobre isso, ou até de admitir, a verdade é que, a partida do Z. fragilizou-nos, acentuou e exponenciou os nossos medos. As circunstâncias são diferentes e, a doença, embora com o mesmo nome, tinha condicionantes específicas que, no momento do diagnóstico, levaram a um mau prognóstico. Ainda assim, não deixa de ser tremendo e assustador para quem está nesta luta, porque a verdade é que, apesar de não termos dúvidas que vamos vencer, o medo está sempre lá, alojado, como uma erva daninha...

Mas tenho-me rido imenso com os disparates que ele diz, aquela cabeça pensa cada coisa mais engraçada, dá-lhe para dizer cada disparate, acreditam que hoje, a médica ria à gargalhada com ele? Pois acreditem!

Mas isso, foi antes de ir hoje fazer a segunda sessão de quimio...agora está para ali todo desgraçado, mal disposto, cheio de frio e mais uma série de sintomas tramados do tratamento...mas está tudo controlado, dentro do possível, com os medicamentos disponíveis para o efeito. Não se preocupem.

Já sabem, nada de visitas sem avisar, nada de crianças, os primeiros 6/7 dias são muito críticos, pois ele tem as defesas muito em baixo e desta vez ainda é pior porque fez o tratamento hoje, dia 29, dois dias antes do previsto, pois senão iria dar dia 31, o que não seria justo!

Vou dando noticias.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Luta e Luto

Hoje é dia de luto.
Partiu o Z., marido da N., partiu depois de uma luta entre gigantes, o Z. e a N., uma dupla dura de roer, contra uma doença que às vezes ganha, mesmo aos melhores.

Foram sempre um casal exemplo, de força, coragem, amizade, amor, sempre juntos e prontos para dar luta a esta doença, que destrói silenciosamente e deixa um rasto terrível e difícil de apagar.

Muito antes de imaginar, que os nossos caminhos se iriam cruzar, muitas foram as noites de conversa, sobre tudo e sobre nada, mas acima de tudo, sobre a vida e a força do querer viver e sobreviver.

Muitas palavras foram ditas, aprendi muitas coisas e ganhei dois amigos.
Mal eu sabia que, aquelas palavras, iriam ser tão, mas tão preciosas na minha própria experiência.
Têm sido.

Com eles, aprendi a aceitar que estas coisas acontecem.
Obrigada, pelos bons momentos e pelos bons conselhos.
Força N.



sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Mais um

Já passou.
Foi mais um, começou menos bem, mas afinal nem acabou mal.
No dia 22 tentei ir às compras,sozinha, para arejar a cabeça. Ia comprar coisas normais de Natal, bacalhau, couves, enfim... mas lá encontrei um mar de gente, pior, gente malcriada, que não respeita sinais de trânsito, passadeiras, lugares na fila... é só escolher. Perante isto, só me apetecia sair do carro e desatar à paulada a toda a gente com um taco de basebol....
Eu sei, não foi bonito e ninguém queria ler isto, eu sei, mas era o que me apetecia!

Voltei para casa, arrumei o carro e dei a sentença "VOU AO CAFÉ!", que traduzido significa vou falar com a V., e falar, falar, falar, falar. E chorar.
Obrigada V., aturas-me sempre que preciso.
Fiquei como nova.

Dia 23, lá voltei e com a minha cria mais velha a ajudar e juntas tratamos de tudo. Correu lindamente.
Ela é o máximo, que orgulho aquela menina.

O dia 24 lá se passou, em nossa casa, sem surpresas, o Natal do bacalhau, dos presentes, das crianças.

Nestes dias tive boas surpresas e boas visitas.
Obrigada aos meus primos, pela visita, pela atenção, pelo carinho, aos vizinhos R. e J. pelo café ;), obrigada à C., mãe do D., e da M., que no meio da sua vida agitada, tirou um bocado para estar comigo, obrigada aos meus Tios pela boa surpresa, pelos presentes, pelo apoio e por aquele abraço apertado que me soube tão bem, à I., que descobriu onde era a nossa casa e veio dar um beijo de Boas Festas e de força para esta luta, à V., uma querida, que me ligou mesmo ao jantar para garantir que me dava Boas Festas e é claro, a todos os amigos que ligaram e enviaram mensagens maravilhosas de força e de Bom Natal.


Tudo conta e tudo é importante.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Justiça seja feita

É evidente que, em todo este percurso, não encontrámos só maus profissionais. Encontrámos também, gente preocupada e interessada em ajudar e resolver o nosso problema.

A S., aliás Dra. S., nossa amiga, foi incansável, fez tudo o que podia. Nunca falhou num único dia, um telefonema, uma promessa, uma tentativa, tudo foi feito, a questão é que isso não chega.
O sentimento que temos é que, assim que a situação saía da mão dela, entrava numa espiral de loucura e atropelos e as coisas não podem funcionar assim, para nosso bem, não podem. Não podemos ser bem ou mal tratados, porque conhecemos alguém, todos temos de ser tratados por igual.

O hospital tem de ser responsável, assim como, todos os clínicos que nele trabalham e há uma coisa que nunca ninguém fala, mas que é uma grande verdade, para se ser médico é preciso ser muito inteligente e estudar muito, não é preciso ser um grande ser humano, não há pré-requisitos. A parte humana é completamente posta de lado, não interessa, podem ser umas bestas, gananciosas e insensíveis, desde que sejam inteligentes e tenham boas notas, podem ser médicos.
E pior, quando falham, quem é que lhes puxa as orelhas?
A que tipo de processos são eles sujeitos?

Estamos fartos de saber que erros acontecem todos os dias nos hospitais, uns mais graves,outros menos, mas o que é certo, é que eles lá se vão safando e nós temos de rezar que o erro não nos tenha prejudicado assim tanto.

A verdade, é que estamos entregues aos bichos e à P**** da Sorte e é sempre uma grande incerteza quando caímos num hospital, principalmente no de Leiria.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

#*@**# !!!

Ele tem estado muito bem. Felizmente.
Ao que sabemos, as primeiras quimio ainda não fazem muita mossa. Quando começarem a fazer mais mossa, também é sinal que estaram a dar cabo da doença.
Assim o entendi.

Agora, à pergunta: "Como é que vocês estão?"
Ora... nós não entendemos muito bem, como é que fomos de "-Tem uma massa no tórax! Vamos lá ver o que é isto!" para "-Tem um cancro em fase muito avançada!" dá vontade de perguntar "-O que é que eu perdi?"

Dá vontade de dizer muitas asneiras feias e de perguntar onde C****** estudaram as bestas, que não souberam em Junho, que aquele "alto" do pescoço era um gânglio inchado. Dá vontade de pôr uma bomba nos hospitais todos e de ir perguntar, pessoa a pessoa, serviço a serviço, de quem é a culpa? Quem é que falhou? Para depois chegar à conclusão, muito provavelmente, que foi tudo e nada. Não foi nada em concreto, mas também nada correu bem. Houve sempre enganos, desenganos, desencontros e inúmeros precalços. Agora, não só estamos revoltados, porque ele tem uma F**** da P*** de uma doença, que não entendemos, como, ainda por cima, esta muito avançada.
E agora, depois das 5 intervenções, quando esperamos ouvir que as coisas foram difíceis, mas que estão controladas, afinal não, o pior ainda está para vir.

E depois, ouvir a nova médica que nos acompanha a dizer que, falhou isto e aquilo, e termos de ouvir e calar... Porque sim, vamos fazer o quê ?? Sabemos bem como estas coisas funcionam. Tudo tem desculpa e o que não tem encobre-se.
É evidente, e vocês conhecem-me, que eu faço SEMPRE qualquer coisa, nem seria eu, teria de nascer de novo, para conseguir ouvir, aceitar e calar injustiças e incompetências de alguém. É evidente, que vou escrever umas quantas cartinhas, para alguma dessa malta que nos "acompanhou", se é que é este o termo, é evidente que vou criar mau-estar e chatices, mas nem seria possivel de outra forma, quando o diagnóstico final é este.
Não poderia aceitar e calar.

"Vai ser um caminho muito longo e dificil."
Esta frase deu cabo de nós, nem queriamos acreditar.Mais uma má noticia, mais um pesadelo.
Claro que, sabemos que vamos conseguir, não temos qualquer dúvida e só colocámos sempre esse objectivo no horizonte, mas parece-me que, grande parte deste sofrimento podia ser evitado. Mas enfim...ele não é o marido, nem o filho, nem o irmão de ninguém dali, é apenas mais um número, um tal de D. de 35 anos. Mais um.

Mas, esse mais um que não fuma, não bebe, come sopas todos os dias, saladas, legumes cozidos, sumos naturais, muito peixe, carnes brancas e até leite de soja, tem uma familia que o adora e a quem faz muita falta. Esse mais um, não é mais um, é o tal, o mais importante.
The one.

Mas eles não sabem isso.

Por isso, como estamos? Perdidos, chateados, tristes, irritados, revoltados, impacientes, desgastados, desorientados. E em jeito de resposta, a quem me tem dito que nós levamos a coisa bem, lembrem-se, este blog não é o muro das lamentações, eu não venho aqui dizer o que me vai na alma, senão não havia teclado que aguentasse. Este blog serve para vocês saberem o que se passa, para me perdoarem o não vos telefonar e, às vezes até, não atender o telefone, simplesmente porque não tenho força, nem vontade.
Porque um dia, uma hora, subitamente ficou tão longo e ao mesmo tempo tão precioso, pois numa hora eu consigo sentir 10 000 coisas diferentes, tenho altos e baixos e tanto estou positiva, divertida e explosiva, como sou invadida por um medo paralisante que me tira a voz e me faz um calor atrás, no pescoço, que parece que vou desmaiar. Vomitar. Parar de respirar.
Ele fala pouco. Por isso não sei bem, posso apenas imaginar.

E assim vai o nosso estado de espírito.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Curso de cozinha vegetariano

Como sabem, sempre adorei comida, adoro cozinhar e estou sempre à procura de coisas novas. Receitas, acessórios, novidades. Já há muito tempo que praticamente deixámos de comer carnes vermelhas e até já fazemos muitos pratos vegetarianos.

Já tinha andado à procura de cursos para aprender a fazer algumas comidas diferentes, saudáveis e saborosas, foi então que descobri a D. F., que é aquela senhora que vende comida vegetariana, pré-cozinhada, para a cooperativa, na zona dos produtos naturais.

Esta senhora faz cursos de cozinha vegetariana e como já tinhamos falado sobre isso, há uns tempos atrás, bem antes de tudo isto, a D. F. ligou a semana passada a dizer a data do novo curso e aí vou eu.

Se alguém estiver interessado, os dados são estes:
Sábado,9 de janeiro, 9:00 - 17:00, 35 euros (inclui curso, almoço e lanche) na Sede da Amieira

E espero aprender a cozinhar comidas ainda mais saborosas e saudáveis aqui para a minha malta, pois se isso sempre foi uma prioridade, agora então, é mesmo uma necessidade. Como diz a médica, ele pode comer de tudo, embora o ideal seja uma alimentação o mais equilibrada e saudável possível.

--------------------------------------------------------------------------------
Acordou meio estranho mas bem.
Se o dia for todo assim é um dia excelente. Nem pedimos mais.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Muito melhor

Hoje está muito melhor, fiquem descansados.
Quase sem dores.
Vai a uma junta médica às 15.

De resto tudo andar como deve.

-----------------------------------------------------------------
Obrigada a todos os que nos ligaram hoje, quando estava a dar na SIC, um excerto de uma reportagem sobre linfomas.
Obrigada... ficámos comovidos com as chamadas e sms, soube muito bem sentir esse apoio.

A reportagem completa dá na SIC NOTICIAS, amanhã, Sábado, dia 19 de Dezembro às 17:00h. Se puderem vejam, explica muita coisa que todos vocês me perguntam, e eu às vezes não vos consigo explicar.

Aproveito para vos falar de uma coisa muito importante, quem sofre deste tipo de doenças, linfomas, leucemias, precisa, normalmente, de um dador para transplante de medula e como também estou certa que sabem, o mais dificil é encontrar um dador compatível.
Eu já estou inscrita no banco de dadores, para isso, dirigi-me a um local, onde na altura estavam a fazer recolha, recolheram-me sangue, como se fosse para fazer análises e isso bastou para eu entrar e fazer parte do Banco de dadores de medula óssea.

Fiz isto à cerca de um ano atrás. Não imaginava que um dia iriamos passar por isto. No entanto, eu sou como muitas pessoas, deixamos sempre para outro dia, mas daquela vez tive coragem e fui. Digo coragem, porque eu sou aquela que, até no dentista, e o Dr. P. bem sabe, preciso daquele gel que anestesia a zona, antes da picada da anestesia. Detesto agulhas e detesto a sensação de uma agulha.

Mas fui, deixei de ser parva e fui. Sim, porque eu sentia-me uma grande parva, porque na realidade, arranjei sempre desculpas para não ir. E, como sei, exactamente como é que isso é, peço-vos que se informem, que se dirigam a um centro de histocompatibilidade e se tiverem entre 18 a 45 anos, ou conhecerem alguém que esteja e ainda não faz parte deste banco, organizem-se e convençam-nos a ir lá.
A sério, ele, até pode não precisar, e Deus queira que não, mas há tanta gente que precisa, tantas crianças.
Esse vosso gesto, pode mudar uma vida drásticamente, salvando-a. Entendem? E não custa, é rápido e penso até que podem dar num laboratório na vossa zona, se quiserem, eu informo-me.

Se cada um de vocês fosse e convencesse mais 3 pessoas a ir, por exemplo, imaginem o quanto não era bom. E não é assim tão complicado levar 3 pessoas pois não? E se cada uma dessas pessoas conseguir convencer nem que seja mais uma, já teríamos um número considerável de dadores a somar ao Banco.

Sem desculpas, pensem nisso.
E tu J., que o adoras, eu sei, ganha lá coragem e perde medo de agulhas pá!!!
Xoninhas do caraças!!!